FONTES: DOM TOTAL

C - 1 de abril de
2016

João 21,1-14

Aleluia, aleluia, aleluia.

Este é o dia que o Senhor fez para
nós alegremo-nos e nele exultemos! (Sl
117,24)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
Naquele tempo, 21 1 tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao lago de
Tiberíades. Manifestou-se deste modo:
2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de
Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos.
3 Disse-lhes Simão Pedro: "Vou pescar". Responderam-lhe eles:
"Também nós vamos contigo". Partiram e entraram na barca. Naquela
noite, porém, nada apanharam.
4 Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o
reconheceram.
5 Perguntou-lhes Jesus: "Amigos, não tendes acaso alguma coisa para
comer?" "Não", responderam-lhe.
6 Disse-lhes ele: "Lançai a rede ao lado direito da barca e
achareis". Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande
quantidade de peixes.
7 Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: "É o
Senhor!" Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a
túnica (porque estava nu) e lançou-se às águas.
8 Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes
(pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados).
9 Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima
delas, e pão.
10 Disse-lhes Jesus: "Trazei aqui alguns dos peixes que agora
apanhastes".
11 Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e
cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
12 Disse-lhes Jesus: "Vinde, comei". Nenhum dos discípulos ousou
perguntar-lhe: "Quem és tu?", pois bem sabiam que era o Senhor.
13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe.
14 Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus
discípulos, depois de ter ressuscitado.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

É O SENHOR!
              Os
  discípulos fizeram a experiência de encontrar-se com o Ressuscitado, nas mais
  variadas situações, até mesmo no contexto das atividades diárias. Uma
  pescaria serviu de pretexto para Jesus se manifestar a eles. A pesca
  comunitária resultou de um convite amigo. A fadiga de uma noite de trabalho
  tinha sido em vão. Não tinham conseguido pegar um peixe sequer. Esta era a
  imagem da comunidade, quando agia sozinha, sem se dar conta da Ressurreição
  de Jesus. Por mais que se esforçasse, tudo acabava em frustração.
              A
  situação, porém, se reverteu quando, surgiu o Ressuscitado. No início, era
  apenas um desconhecido que dava ordens para um grupo de pescadores
  decepcionados. A ordem foi obedecida sem hesitação, e a rede se encheu de
  grandes peixes. Só então o Ressuscitado foi reconhecido como o Jesus com quem
  tantas vezes tinham estado naquele mar.
              Quando se
  deixava guiar por ele, a comunidade cristã experimentava o êxito na sua
  missão e seu trabalho era frutuoso. Sem ele, tudo estava fadado ao fracasso.
  Só com Jesus ressuscitado, o esforço de levar adiante a missão recebida
  atingia seus objetivos e os frutos eram palpáveis. 
              A
  comunidade cristã teve de fazer, muitas vezes, a mesma experiência até se
  convencer de que o Crucificado estava vivo e presente no meio dela.


 

C - 2 de abril de
2016

Marcos 16,9-15

Aleluia, aleluia, aleluia.

Este é o dia que o Senhor fez para
nós, alegremo-nos e nele exultemos! (Sl
117,24)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
Marcos.
16 9 Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu
primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demônios.
10 Foi ela noticiá-lo aos que estiveram com ele, os quais estavam aflitos
e chorosos.
11 Quando souberam que Jesus vivia e que ela o tinha visto, não quiseram
acreditar.
12 Mais tarde, ele apareceu sob outra forma a dois entre eles que iam para
o campo.
13 Eles foram anunciá-lo aos demais. Mas estes tampouco acreditaram.
14 Por fim apareceu aos Onze, quando estavam sentados à mesa, e
censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração, por não acreditarem nos que
o tinham visto ressuscitado.
15 E disse-lhes: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda
criatura".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

SUPERANDO A INCREDULIDADE
              A
  superação da incredulidade, por parte dos primeiros discípulos, aconteceu
  mediante um penoso caminho trilhado pela comunidade a fim de entender o que
  se passara com o Senhor. Não dava para acreditar que estivesse vivo quem fora
  vítima de horrenda morte de cruz! As imagens do Mestre desfigurado pelas torturas,
  cravado na cruz, com o lado perfurado por uma lança estavam ainda
  demasiadamente vivas na memória dos discípulos, para que pudessem dar crédito
  ao que se falava a respeito da ressurreição de Jesus.
              O
  testemunho de quem havia dado o passo da fé era sumariamente desprezado.
  Quando Maria Madalena comunicou aos discípulos - tristonhos e imersos em
  pranto - que o Senhor estava vivo, eles não lhe deram crédito. Igualmente,
  não acreditaram nos dois discípulos que tinham tomado consciência da ressurreição
  de Jesus, enquanto voltavam  para o campo.
              A
  incredulidade dos Onze só foi superada após a refeição com o Mestre. A
  censura que ele lhes dirigiu, por serem duros de coração, valeu também para
  todos quantos persistiam em lastimar a morte do amigo, sem se darem conta de
  que algo novo havia acontecido.
              Era
  urgente deixar a incredulidade de lado, pois tinham uma grande missão a
  cumprir: ir pelo mundo inteiro e proclamar o Evangelho a toda criatura. O
  conteúdo da Boa-Nova  a ser anunciada consistia exatamente no fato da
  ressurreição do Senhor e que por meio dela era possível obter a salvação
  oferecida pelo Pai cada ser humano.


 

C - 3 de abril de
2016

João 20,19-31

Aleluia, aleluia, aleluia.

Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes
os que creram sem ter visto! (Jo
20,29).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
20 19 Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos
tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus
veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: "A paz esteja convosco"!
20 Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao
ver o Senhor.
21 Disse-lhes outra vez: "A paz esteja convosco! Como o Pai me
enviou, assim também eu vos envio a vós".
22 Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: "Recebei o
Espírito Santo.
23 Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a
quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".
24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio
Jesus.
25 Os outros discípulos disseram-lhe: "Vimos o Senhor". Mas ele
replicou-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o
meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não
acreditarei"!
26 Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e
Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e
disse: "A paz esteja convosco"!
27 Depois disse a Tomé: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas
mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé".
28 Respondeu-lhe Tomé: "Meu Senhor e meu Deus!"
29 Disse-lhe Jesus: "Creste, porque me viste. Felizes aqueles que
crêem sem ter visto!"
30 Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros
milagres que não estão escritos neste livro.
31 Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o
Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

AS PORTAS FECHADAS
              As portas
  fechadas por medo dos judeus simbolizavam a situação crítica vivida pela
  comunidade cristã, quando da morte de Jesus. Como as portas do local, também
  estavam fechadas as portas das inteligências e dos corações dos discípulos. O
  medo era fruto da falta de fé, e esta carência, da incapacidade de aceitar a
  ressurreição do Senhor como um fato consumado, que eliminava qualquer dúvida
  ou suspeita. A incredulidade deixara-os confusos, sem rumo, bloqueados pela
  perplexidade diante da morte do Mestre.
              Foi
  preciso uma intervenção enérgica do Mestre para arrancá-los dessa lastimável
  situação. E a ação do Senhor foi progressiva: fez-se presente no lugar em que
  se encontravam, mesmo estando fechadas as portas, como se as estivesse
  escancarando; exortou-os a recobrar a paz interior, deixando de lado os
  sentimentos negativos que agitavam seus corações; fez-lhes compreender que
  estavam diante do mesmo Jesus que fora crucificado - as marcas nas mãos e no
  lado não davam margem para dúvidas -; finalmente, comunicou-lhes o Espírito
  Santo e os enviou em missão.
              O medo e o
  conseqüente ensimesmar-se têm sido, ao longo dos séculos, a grande tentação
  dos discípulos de Jesus. A hostilidade do mundo somada à precariedade da fé
  explicam esta atitude. É mister deixar que o Ressuscitado rompa as
  barreiras  e nos envie em missão, com a força do Espírito.


 

C - 4 de abril de
2016

Lucas 1,26-38

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai, que é amor!
A palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós vimos sua glória que
recebe de Deus Pai (Jo
1,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.
1 26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da
Galiléia, chamada Nazaré,
27 a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de
Davi e o nome da virgem era Maria.
28 Entrando, o anjo disse-lhe: "Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo".
29 Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que
significaria semelhante saudação.
30 O anjo disse-lhe: "Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de
Deus.
31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
32 Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe
dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó,
33 e o seu reino não terá fim".
34 Maria perguntou ao anjo: "Como se fará isso, pois não conheço homem?"
35 Respondeu-lhe o anjo: "O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do
Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti
será chamado Filho de Deus.
36 Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e
já está no sexto mês aquela que é tida por estéril,
37 porque a Deus nenhuma coisa é impossível".
38 Então disse Maria: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo
a tua palavra". E o anjo afastou-se dela.
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

SUPERANDO O PECADO ORIGINAL
              A
  celebração da Imaculada Conceição de Maria leva-nos reconhecer a
  possibilidade de superar a marca do pecado, que acompanha a história da
  humanidade. É possível considerar isso como uma forma de reversão da
  história: finalmente, alguém viu-se totalmente livre da tirania do pecado.
              A
  experiência de Maria é melhor entendida, se a confrontamos com a de Eva. A
  primeira mulher, criada para a plena comunhão com Deus, deixou-se envolver
  pela força dos  instintos, a ponto de romper com o Criador. Maria, a mãe
  do Redentor, mostrou-se tão radicalmente fiel a Deus, a ponto de não ser contaminada
  pelo pecado. Aquela foi a "mãe de todos os viventes", que
  contaminara, com sua infidelidade e pecado, todas as gerações humanas. Aquela
  que traria em seu ventre o Salvador, ao invés, por sua fidelidade
  transformou-se em fonte de bênção para a humanidade que seria redimida por
  seu Filho. Enquanto Eva representa a humanidade que passa da graça ao pecado,
  Maria, pelo contrário, aponta para a humanidade que supera o pecado, e se
  volta totalmente para a graça de Deus.
              Quando o
  anjo chamou Maria de "cheia de graça", estava indicando a
  profundidade do enraizamento da graça no coração dela. Com isto,
  apresentava-a como exemplo de humanidade salva por Jesus: o ser humano como
  saíra das mãos do Criador.


 

C - 5 de abril de
2016

João 3,7-15

Aleluia, aleluia, aleluia.
O Filho do homem há de ser levantado, para que quem crer possua a vida
eterna (Jo
3,14s).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
3 7 Disse Jesus a Nicodemos: "Não te maravilhes de que eu te tenha dito:
Necessário vos é nascer de novo.
8 O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem,
nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito".
9 Replicou Nicodemos: "Como se pode fazer isso?"
10 Disse Jesus: "És doutor em Israel e ignoras estas coisas!
11 Em verdade, em verdade te digo: dizemos o que sabemos e damos
testemunho do que vimos, mas não recebeis o nosso testemunho.
12 Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis
se vos falar das celestiais?
13 Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem
que está no céu.
14 Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o
Filho do Homem,
15 para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

A AVENTURA DO ESPÍRITO
              Quem se
  faz discípulo do Ressuscitado deve dispor-se a viver a aventura do Espírito.
  Esta exigência está contida na afirmação enigmática de Jesus: "O vento
  sopra onde quer; você ouve o barulho, porém, não se sabe de onde ele vem nem
  para onde vai. A mesma coisa acontece com quem nasceu do Espírito".
              Este
  alerta é fundamental para quem foi iniciado no processo de discipulado.
  Tornar-se discípulo de Jesus comporta colocar-se à inteira disposição do
  Espírito. Só assim, irá se precaver contra a tentação de querer aprisionar o
  Espírito e colocar Deus dentro dos próprios limites humanos. Opção
  empobrecedora, pois impede o ser humano de deixar desabrochar toda a riqueza
  de dons que lhe foi confiada por Deus. Fechando-se dentro de seus próprios
  limites, o discípulo tende a acomodar-se, a não ser criativo, e a
  contentar-se com o pouco, a deixar-se abater pelas críticas, pelas
  incompreensões e pelos insucessos.
              Soprando
  onde e como quer, o Espírito proporciona ao discípulo um dinamismo incomum, a
  ponto de se admirar com os próprios feitos. Embora pequeno e frágil, não
  temerá realizar grandes empresas. Tornar-se-á forte diante das contrariedades
  da vida, a ponto de superá-las todas, e destemido em se tratando de dar
  testemunho do Ressuscitado. Mostrar-se-á, também, possuidor de uma sabedoria,
  antes desconhecida; e manterá viva a chama da fé e da esperança, quando o
  fracasso bater à sua porta. Basta deixar-se conduzir pelo Espírito!


 

C - 6 de abril de
2016

João 3,16-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Deus o mundo tanto amou, que lhe deu
seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo
3,16).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
3 16 Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo, que lhe deu seu Filho único,
para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o
mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; por
que não crê no nome do Filho único de Deus.
19 Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram
mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más.
20 Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz,
para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro
que as suas obras são feitas em Deus.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

A MISSÃO DO FILHO
              O processo
  de formação para o discipulado requer a compreensão da identidade de Jesus e
  da sua missão. A fé consiste na adesão ao Mestre assim com se nos apresenta.
  Quanto mais adequada for esta compreensão, tanto mais profundo será o
  compromisso da fé. Eis por que Jesus pôs-se a instruir Nicodemos a este
  respeito.
              O Filho é
  a expressão perfeita do amor do Pai pela humanidade, que o ofereceu como
  prova de amor. A origem divina de Jesus dá credibilidade às suas palavras,
  pois seu testemunho reporta-se diretamente a Deus. Ele não é um simples
  intermediário entre o Pai e a humanidade. É a encarnação do amor de Deus.
               A
  missão terrena de Jesus consistiu em colocar-se inteiramente a serviço da
  salvação da humanidade, propiciando-lhe a vida eterna. Ele a resgata do poder
  do pecado e da morte, abrindo-lhe perspectivas novas de comunhão com Deus.
  Por seu ministério destruiu-se o muro de separação erguido entre o Criador e
  a criatura, refazendo-se a amizade inicial.
              Não
  compete a Jesus ser o juiz da humanidade, condenando-a por seus pecados.
  Cabe-lhe, sim, ser seu salvador. Mesmo que a humanidade prefira as trevas em
  detrimento da luz, a missão do Filho de Deus permanece inalterada. O gesto de
  recusar a luz já traz em si o germe da condenação, porém não tolhe ao ser
  humano a possibilidade de converter-se para a luz. Jesus é infinitamente
  paciente. e espera que o ser humano se decida em favor dele.


 

C - 7 de abril de
2016

João 3,31-36

Aleluia, aleluia, aleluia.

Acreditaste, Tomé, porque me viste.
Felizes os que crêem sem ter visto (Jo
20,29).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
3 31 "Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da
terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do céu é superior a
todos.
32 Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o seu
testemunho.
33 Aquele que recebe o seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro.
34 Com efeito, aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque ele
concede o Espírito sem medidas.
35 O Pai ama o Filho e confiou-lhe todas as coisas.
36 Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; quem não crê no Filho não
verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O TESTEMUNHO DE JESUS
              Jesus
  apresentou-se como testemunha do Pai, uma vez que suas palavras reportam-se a
  tudo quanto dele viu e ouviu. Entender a identidade e a missão de Jesus é de
  suma  importância no processo da fé. Por isso, Nicodemos devia ser bem
  instruído. Sua relação com o Mestre dependeria do peso que este discípulo
  iria dar às palavras de Jesus. E esta. teriam mais valor se realmente o Filho
  falasse a partir de seu contato imediato com o Pai. Caso contrário, não
  passariam de meras palavras humanas.
              Jesus,
  porém, apresenta-se como superior a todos os demais seres humanos, por ter
  experimentado a intimidade do Pai. Sua linguagem toca as verdades mais
  sublimes, porque "quem é da Terra, pertence à Terra e fala com um ser terreno".
  No entanto, a rejeição faz parte de sua missão, pois "ninguém aceita o
  seu testemunho", mesmo sendo veraz. O Filho age, movido pelo Espírito
  que o Pai lhe conferiu abundantemente. O Espírito sugere-lhe as palavras que
  deve proclamar, de modo a garantir a fidelidade ao projeto de Deus, sem
  deturpações. De sua boca sai a Palavra de Deus capaz de tocar o coração
  humano e movê-lo à conversão. Seu domínio se estende sobre todas as coisas,
  já que tudo lhe foi entregue, por obra do amor do Pai.
              Diante dos
  discípulos apresentam-se dois caminhos: o da fé que leva à vida eterna, e o
  da incredulidade que submete o ser humano à ira de Deus. Diante deles,
  Nicodemos viu-se obrigado a tomar uma decisão.


 

C - 8 de abril de
2016

João 6,1-15

Aleluia, aleluia, aleluia.

O homem não vive somente de pão, mas
de toda palavra da boca de Deus (Mt
4,4)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
6 1 Depois disso, atravessou Jesus o lago da Galiléia (que é o de
Tiberíades.)
2 Seguia-o uma grande multidão, porque via os milagres que fazia em
beneficio dos enfermos.
3 Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos.
4 Aproximava-se a Páscoa, festa dos judeus.
5 Jesus levantou os olhos sobre aquela grande multidão que vinha ter com
ele e disse a Filipe: "Onde compraremos pão para que todos estes tenham o
que comer?"
6 Falava assim para o experimentar, pois bem sabia o que havia de fazer.
7 Filipe respondeu-lhe: "Duzentos denários de pão não lhes bastam,
para que cada um receba um pedaço".
8 Um dos seus discípulos, chamado André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:
9 "Está aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixes.
Mas que é isto para tanta gente?"
10 Disse Jesus: "Fazei-os assentar". Ora, havia naquele lugar
muita relva. Sentaram-se aqueles homens em número de uns cinco mil.
11 Jesus tomou os pães e rendeu graças. Em seguida, distribuiu-os às
pessoas que estavam sentadas, e igualmente dos peixes lhes deu quanto queriam.
12 Estando eles saciados, disse aos discípulos: "Recolhei os pedaços
que sobraram, para que nada se perca".
13 Eles os recolheram e, dos pedaços dos cinco pães de cevada que
sobraram, encheram doze cestos.
14 À vista desse milagre de Jesus, aquela gente dizia: "Este é
verdadeiramente o profeta que há de vir ao mundo".
15 Jesus, percebendo que queriam arrebatá-lo e fazê-lo rei, tornou a
retirar-se sozinho para o monte.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

É TEMPO DE PÁSCOA
              O milagre
  da partilha do pão está inserido num contexto pascal. Seu simbolismo
  ajuda-nos a compreendê-lo.
              O
  Evangelho observa que "a páscoa, a festa dos judeus, estava perto".
  A páscoa era a festa principal do calendário judaico. Recordava a libertação
  da escravidão egípcia e a entrada na Terra Prometida. Este episódio era
  considerado como a experiência fundante da fé do povo de Israel, pois nele
  Deus se revelara como protetor e libertador do povo eleito.
              Outros
  elementos recordam a experiência do antigo Israel: o fato de Jesus se
  encontrar às margens do mar da Galiléia e ter subido a uma alta montanha,
  onde se sentou com os discípulos. O Mar Vermelho e o Monte Sinai são, aqui,
  evocados. O lugar deserto, onde se encontravam os ouvintes do Mestre, bem
  como a carência de alimentos e a posterior providência de Jesus para saciar a
  multidão também têm a ver com o fato de outrora.
              Tendo como
  pano de fundo esta ambientação pascal, a cena evangélica significa que é
  missão do Ressuscitado ser o guia da comunidade cristã a caminho da Terra
  Prometida - a casa do Pai. O povo congregado em torno de Jesus é chamado a
  ser um povo de irmãos e irmãs para os quais a partilha solidária é uma
  exigência irrenunciável. Mesmo sendo muitos, ninguém será vítima do abandono
  ou da fome. Aqui, o egoísmo não pode ter vez!
              A Páscoa
  de Jesus  convida-nos, pois, a renovar nossa condição de povo de Deus.


 

C - 9 de abril de
2016

João 6,16-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ressurgiu Cristo, o Senhor, que criou
tudo; ele teve compaixão da humanidade.

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
6 16 Chegada a tarde, os seus discípulos desceram à margem do lago.
17 Subindo a uma barca, atravessaram o lago rumo a Cafarnaum. Era já
escuro, e Jesus ainda não se tinha reunido a eles.
18 O mar, entretanto, se agitava, porque soprava um vento rijo.
19 Tendo eles remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram Jesus que
se aproximava da barca, andando sobre as águas, e ficaram atemorizados.
20 Mas ele lhes disse: "Sou eu, não temais".
21 Quiseram recebê-lo na barca, mas pouco depois a barca chegou ao seu
destino.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

COM JESUS NAS TEMPESTADES
              A adesão
  ao Ressuscitado comporta tremendos desafios para os que escolhem o caminho do
  discipulado cristão. Engana-se quem pretende transformá-lo num oásis de paz e
  de tranqüilidade, livre de tribulações. A cena evangélica indica-nos como
  enfrentar as tempestades da vida.
              Os
  discípulos põem-se a atravessar o mar da Galiléia, numa pequena barca, rumo a
  Cafarnaum. Dois detalhes: já era noite e não estava com eles o Senhor. A
  forte ventania  e a agitação do mar fazia-os correr o risco de afundar,
              Tudo mudou
  quando se deram conta de não estarem sozinhos. Com eles estava o Senhor,
  exortando-os a não entregar os pontos. A meta devia ser alcançada!
              Os
  discípulos de todos os tempos fazem semelhante experiência. O testemunho de
  sua fé no Ressuscitado coloca-os muitas vezes em situações aparentemente sem
  solução. São tempestades das mais variadas formas: perseguição, martírio,
  indiferença, marginalização, expulsão, calúnias etc. É como se entrassem numa
  pavorosa escuridão, com o risco de desviar-se do rumo estabelecido pelo
  Senhor.
              Nestas
  circunstâncias, mais do que nunca, é preciso dar-se conta da presença do
  Ressuscitado a incentivá-los a continuar, sem esmorecer. Ele é um companheiro
  fiel!


 

C - 10 de abril de
2016

Jo 21,1-19 ou 1-14

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo ressurgiu, por quem tudo foi criado; ele teve compaixão do
gênero humano.

 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
21 1 Depois disso, tornou Jesus a manifestar-se aos seus discípulos junto ao
lago de Tiberíades. Manifestou-se deste modo:
2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé (chamado Dídimo), Natanael (que era de
Caná da Galiléia), os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos.
3 Disse-lhes Simão Pedro: "Vou pescar". Responderam-lhe eles: "Também nós
vamos contigo". Partiram e entraram na barca. Naquela noite, porém, nada
apanharam.
4 Chegada a manhã, Jesus estava na praia. Todavia, os discípulos não o
reconheceram.
5 Perguntou-lhes Jesus: "Amigos, não tendes acaso alguma coisa para
comer?" "Não", responderam-lhe.
6 Disse-lhes ele: "Lançai a rede ao lado direito da barca e achareis".
Lançaram-na, e já não podiam arrastá-la por causa da grande quantidade de
peixes.
7 Então aquele discípulo, que Jesus amava, disse a Pedro: "É o Senhor!"
Quando Simão Pedro ouviu dizer que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque
estava nu) e lançou-se às águas.
8 Os outros discípulos vieram na barca, arrastando a rede dos peixes
(pois não estavam longe da terra, senão cerca de duzentos côvados).
9 Ao saltarem em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima
delas, e pão.
10 Disse-lhes Jesus: "Trazei aqui alguns dos peixes que agora apanhastes".
11 Subiu Simão Pedro e puxou a rede para a terra, cheia de cento e
cinqüenta e três peixes grandes. Apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
12 Disse-lhes Jesus: "Vinde, comei". Nenhum dos discípulos ousou
perguntar-lhe: "Quem és tu?", pois bem sabiam que era o Senhor.
13 Jesus aproximou-se, tomou o pão e lhos deu, e do mesmo modo o peixe.
14 Era esta já a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus
discípulos, depois de ter ressuscitado.
15 Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: "Simão, filho de
João, amas-me mais do que estes?" Respondeu ele: "Sim, Senhor, tu sabes que te
amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta os meus cordeiros".
16 Perguntou-lhe outra vez: "Simão, filho de João, amas-me?"
Respondeu-lhe: "Sim, Senhor, tu sabes que te amo". Disse-lhe Jesus: "Apascenta
os meus cordeiros".
17 Perguntou-lhe pela terceira vez: "Simão, filho de João, amas-me?" Pedro
entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: "Amas-me?", e
respondeu-lhe: "Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo". Disse-lhe Jesus:
"Apascenta as minhas ovelhas.
18 Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e
andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e
outro te cingirá e te levará para onde não queres".
19 Por estas palavras, ele indicava o gênero de morte com que havia de
glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: "Segue-me!"
Palavra da Salvação. 
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

CUIDA DAS MINHAS OVELHAS
              A morte de
  cruz encerrou o ministério terreno de Jesus. Ao exclamar: "Tudo está
  consumado!", ele proclamou ter levado a termo a missão recebida do Pai.
              Todavia,
  restava muito a ser feito. O Evangelho deveria ser anunciado a todos os
  povos, e a salvação chegar até os confins da Terra. A sementinha do Reino não
  podia ficar infrutífera. Era preciso fazê-la desabrochar para tornar-se uma
  árvore frondosa.
              A missão,
  agora, seria tarefa dos discípulos. Com que condições? A primeira delas
  consistia em estar unido ao Senhor por um amor entranhado, numa proximidade
  tal que lhes permitisse assimilar a vida do Mestre. Esta centralidade de
  Jesus na vida do discípulo seria garantia de sua presença no decorrer da
  missão. A segunda consistia em estar consciente de ter sido encarregado de uma
  missão recebida do Senhor. O discípulo atuaria como servidor dessa missão, e
  não como dono do rebanho!
              Ao ser
  três vezes interrogado, Pedro confessou seu amor a Jesus. Este, então,
  confiou-lhe o encargo de cuidar de suas ovelhas. O rebanho não é propriedade
  do discípulo, e a relação entre ambos deve ser permeada pelo amor do Senhor.
        
              O
  ministério, portanto, teria três pólos: Jesus que confia a missão - o
  discípulo que a executa, por amor - e o rebanho a ser conduzido pelos caminhos
  do Senhor.


 

C - 11 de abril de
2016

João 6,22-29

Aleluia, aleluia, aleluia.

O homem não vive somente de pão, mas
de toda palavra da boca de Deus (Mt
4,4).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
6 22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar
percebeu que Jesus não tinha subido com seus discípulos na única barca que lá
estava, mas que eles tinham partido sozinhos.
23 Nesse meio tempo, outras barcas chegaram de Tiberíades, perto do lugar
onde tinham comido o pão, depois de o Senhor ter dado graças.
24 E, reparando a multidão que nem Jesus nem os seus discípulos estavam
ali, entrou nas barcas e foi até Cafarnaum à sua procura.
25 Encontrando-o na outra margem do lago, perguntaram-lhe: "Mestre,
quando chegaste aqui?"
26 Respondeu-lhes Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo:
buscais-me, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e
ficastes fartos.
27 Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida
eterna, que o Filho do Homem vos dará. Pois nele Deus Pai imprimiu o seu
sinal".
28 Perguntaram-lhe: "Que faremos para praticar as obras de
Deus?"
29 Respondeu-lhes Jesus: "A obra de Deus é esta: que creiais naquele
que ele enviou".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

EM BUSCA DA FÉ PURA
              As
  intenções das pessoas que procuravam Jesus eram as mais variadas possíveis.
  Havia quem estivesse sintonizado com sua palavra e se deixava tocar por ela.
  Mas havia, também, quem estava interessado em ser beneficiado por sua ação, sem
  se comprometer com ele, com a profundidade requerida de um discípulo do
  Reino.
              O milagre
  da partilha do pão causou admiração em muitos. Não faltou quem passasse a
  olhar para Jesus como solução fácil para seus problemas do dia-a-dia, como é
  o caso da alimentação. O poder maravilhoso do Mestre bastaria para livrá-los
  da fadiga de trabalhar para obter o sustento com o próprio esforço. Na hora
  do aperto, bastaria recorrer a ele.
              Jesus
  questionou esta mentalidade. Sua missão primordial não era tanto a de
  oferecer o pão que perece, mas sim, o que gera vida eterna. O horizonte de
  Jesus superava o imediatismo das necessidades cotidianas.
              O evento
  da Páscoa, por sua vez, exigiu dos discípulos darem um enfoque correto à sua
  fé. Quiçá houvesse quem pensasse encontrar no Ressuscitado um caminho fácil
  para resolver seus problemas. Bastaria invocá-lo e ele se apresentaria para
  trazer soluções para tudo.
              A
  comunidade foi levada a ir purificando sua fé no Ressuscitado, de forma a
  buscar nele e a esperar dele o que ele, realmente, tinha para lhe oferecer.


 

C - 12 de abril de
2016

João 6,30-35

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o pão da vida, quem vem a mim
não terá fome; assim nos fala o Senhor (Jo
6,35).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
Naquele tempo, 6 30 perguntaram eles: "Que milagre fazes tu, para que o vejamos e
creiamos em ti? Qual é a tua obra?
31 Nossos pais comeram o maná no deserto, segundo o que está escrito:
'Deu-lhes de comer o pão vindo do céu'".
32 Jesus respondeu-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: Moisés não
vos deu o pão do céu, mas o meu Pai é quem vos dá o verdadeiro pão do céu;
33 porque o pão de Deus é o pão que desce do céu e dá vida ao mundo".
34 Disseram-lhe: "Senhor, dá-nos sempre deste pão!"
35 Jesus replicou: "Eu sou o pão da vida: aquele que vem a mim não
terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

A EXIGÊNCIA DE MILAGRES
              Jesus
  viu-se continuamente às voltas com pessoas que lhe pediam milagres como
  pré-condição para acreditar em suas palavras. Ele se recusava a ceder a este
  capricho de seus interlocutores, procurando levá-los a crer nele motivados
  apenas pela convicção da veracidade de suas palavras. A fé, neste caso,
  dependia da empatia entre Jesus e seus ouvintes. Ou havia simplicidade e
  confiança por parte de quem ouvia Jesus, de forma a assumir a projeto de vida
  que ele apresentava, ou se fazia as palavras de Jesus dependerem da
  comprovação de um milagre que, não acontecendo, deixava sem efeito a sua
  pregação.
              O milagre
  da partilha generosa dos pães não foi suficiente para levar os suspeitosos à
  fé. Exigiam sempre mais. Pediam obras sempre mais retumbantes.
              O mesmo se
  passou no contexto da Ressurreição. Solicitava-se do Ressuscitado 
  sempre novas provas da veracidade da Ressurreição e de sua presença viva e
  atuante no meio da comunidade. De novo, condicionava-se a fé à demonstração
  de poderes prodigiosos.
              O milagre,
  porém, estava acontecendo em termos de transformação radical dos discípulos
  de Jesus, na vida fraterna e partilhada que se sentiam motivados a levar, na
  caridade praticada em relação aos necessitados. Este era o verdadeiro milagre
  do Ressuscitado.


 

C - 13 de abril de
2016

João 6,35-40

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem vê o filho e nele crê, este tem
a vida eterna, e eu o farei ressuscitar no último dia, diz Jesus (Jo
6,40).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

Naquele tempo, Jesus replicou à multidão: 6 35 "Eu sou
o pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim
jamais terá sede.
36 Mas já vos disse: 'Vós me vedes e não credes'.
37 Todo aquele que o Pai me dá virá a mim, e o que vem a mim não o
lançarei fora.
38 Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele
que me enviou.
39 Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer
nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia.
40 Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê,
tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

A VIDA NOS VEM POR JESUS
              Jesus
  procurava explicar o sentido de sua vida e de sua presença na história
  humana. Ele se sabia enviado, com uma missão bem precisa em relação a toda a
  humanidade. Todos os que lhe foram confiados pelo Pai deveriam ser salvos e
  ter acesso à vida. Portanto, o objetivo primordial de sua missão era o de
  saciar a fome e a sede de vida eterna existentes no coração de cada ser
  humano. Ninguém deveria ser privado deste benefício supremo da ação de Jesus.
              A
  Ressurreição despontou na existência de Jesus como prova de que ele, de fato,
  estava em condições de levar, a bom termo, a vontade do Pai. Se a caminhada
  de Jesus tivesse sido concluída com o fato de sua morte, seria difícil
  acreditar que dele pudesse nascer a vida. Mas, como a verdade última de sua
  existência foi a Ressurreição, Jesus pode tornar-se fonte de vida para quem
  nele crê. A pessoa de fé está destinada a entrar no mesmo processo
  vivificador que o Pai reservou para Jesus. Assim, quem acolhe o Mestre na fé
  e dá à vida a mesma impostação que ele deu à sua, está destinado a ressurgir
  para a vida eterna.
              O
  Ressuscitado acolhe a todos, sem exceção, com o desejo de comunicar-lhes
  vida. Tudo dependerá da coragem do ser humano em crer e permitir que a fé
  fermente o seu agir.


 

C - 14 de abril de
2016

João 6,44-51

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o pão vivo descido do céu,
quem deste pão come, sempre há de viver (Jo
6,51).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
Naquele tempo, disse Jesus à multidão: 6 44 "Ninguém pode
vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu hei de ressuscitá-lo no
último dia.
45 Está escrito nos profetas: 'Todos serão ensinados por Deus'. Assim,
todo aquele que ouviu o Pai e foi por ele instruído vem a mim.
46 Não que alguém tenha visto o Pai, pois só aquele que vem de Deus, esse
é que viu o Pai.
47 Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
48 Eu sou o pão da vida.
49 Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram.
50 Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele
comer.
51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá
eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do
mundo".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O RESSUSCITADO E O PAI
              A
  Ressurreição é a manifestação do amor do Pai em relação a Jesus. Este era o
  enviado, que veio de junto de Deus. Vê o Pai e o conhece, por isso, pode
  revelá-lo. Portanto, a vida de Jesus está nas mãos do Pai.
              A vida dos
  discípulos de Jesus também está nas mãos do Pai. É este quem os instrui e os
  conduz para junto do Filho, para que tenham vida e também cheguem à
  Ressurreição. Quem acolhe o Pai, não tem dificuldade de acolher Jesus. Esta é
  a decisão correta de quem não quer ver-se fadado à morte eterna e ser privado
  da comunhão com o Pai, fonte de vida.
              Outrora,
  no deserto, o povo que comeu o maná morreu antes mesmo de entrar na terra
  prometida. E isto por se ter recusado a deixar-se conduzir por Deus. Assim,
  por terem seguido seus próprios intentos, acabou entrando pelos caminhos da
  morte. Em Jesus ressuscitado, o Pai ofereceu, novamente, um alimento capaz de
  levar a humanidade à salvação. Este foi o objetivo da vinda de Jesus a este
  mundo e da entrega de sua vida nas mãos do Pai, até o limite da morte na
  cruz.
              Não se
  engana quem se deixa guiar pelo Pai até Jesus. O Pai sabe perfeitamente onde
  é possível encontrar a vida que ele deseja para cada ser humano.


 

C - 15 de abril de
2016

João 6,52-59

Aleluia, aleluia, aleluia.

Quem come a minha carne e bebe o meu
sangue em mim permanece e eu vou ficar nele (Jo
6,56).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
Naquele tempo, os judeus discutiam entre si, dizendo: 6 52 "Como pode
este homem dar-nos de comer a sua carne?"
53 Então Jesus lhes disse: "Em verdade, em verdade vos digo: se não
comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a
vida em vós mesmos.
54 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o
ressuscitarei no último dia.
55 Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue,
verdadeiramente uma bebida.
56 Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
57 Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também
aquele que comer a minha carne viverá por mim.
58 Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram
e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente".
59 Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

A RESSURREIÇÃO QUESTIONADA
              O evento
  pascal de Jesus não foi aceito com tranqüilidade como se fosse algo evidente
  e inquestionável. Foram muitas a interrogações, as dúvidas e as suspeitas
  levantadas em torno do Ressuscitado. Tudo isto era a seqüência dos contínuos
  questionamentos aos quais Jesus fora submetido, no decorrer de sua missão.
  Suas palavras foram mal-entendidas e, muitas vezes, destorcidas por
  discípulos e adversários. Não é novidade que também a Ressurreição passasse
  por isto.
              Quando
  Jesus falou que daria sua carne como pão para a vida do mundo, muitos se
  perguntavam como seria possível tal coisa. As palavras do Mestre foram
  tomadas no seu sentido literal. Por isso, chegou-se a interpretações absurdas
  e inaceitáveis. Para entendê-las corretamente, era preciso situá-las no
  horizonte de Jesus e do Pai.
              A
  Ressurreição de Jesus, dado seu caráter de novidade e de superação dos
  esquemas humanos já conhecidos, exigiu um esforço grande, por parte dos
  discípulos, para ser entendida sem deturpações.
              Como Jesus
  pôde ressuscitar? O Ressuscitado é o mesmo Jesus de Nazaré? Por que processo
  teria passado o corpo material de Jesus? Como se explica que Jesus continue
  junto da comunidade, em comunhão com ela?
              Estas
  questões teriam ficado sem resposta suficiente, se não tivessem sido
  respondidas a partir do horizonte de Jesus e do Pai.


 

C - 16 de abril de
2016

João 6,60-69

Aleluia, aleluia, aleluia.

Senhor, tuas palavras são espírito,
são vida; só tu tens palavras de vida eterna! (Jo
6,63.68)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
Naquele tempo, 6 60 muitos dos discípulos de Jesus, ouvindo-o, disseram: "Isto é muito
duro! Quem o pode admitir?"
61 Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes:
"Isso vos escandaliza?
62 Que será, quando virdes subir o Filho do Homem para onde ele estava
antes?
63 O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos
tenho dito são espírito e vida.
64. Mas há alguns entre vós que não crêem". Pois desde o princípio Jesus
sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair.
65. Ele prosseguiu: "Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por
meu Pai não lho for concedido".
66. Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam
com ele.
67. Então Jesus perguntou aos Doze: "Quereis vós também retirar-vos?"
68. Respondeu-lhe Simão Pedro: "Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as
palavras da vida eterna.
69. E nós cremos e sabemos que tu és o Santo de Deus!"
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O ESCÂNDALO DA RESSURREIÇÃO
              As
  palavras de Jesus soavam duras aos ouvidos de seus discípulos, por não
  entrarem nos esquemas já conhecidos. E mais, por esvaziá-los totalmente. De
  certa forma, Jesus  escandalizava os discípulos por apresentar uma
  imagem não-convencional de Deus e uma relação tão íntima com o Pai, a ponto
  de dar a impressão de falta de respeito para com Deus.
              Na
  verdade, muitos ouviam o Mestre com suspeita e preconceito, e não estavam
  dispostos a dar crédito às suas palavras. Estas, longe de atraí-los, acabava
  por afastá-los cada vez mais. Jesus, porém, não adaptou sua mensagem ao gosto
  de seus interlocutores. E jamais teve a intenção de enganá-los.
              Estas
  dificuldades não foram superadas com o fato da Ressurreição. Não dava para
  entender como aquele que fora condenado à morte dos malditos podia
  proclamar-se vivo, por obra de Deus! Não valia a pena ir atrás de alguém que,
  tendo seus planos frustrados e morrido crucificado, dizia-se, agora, ressuscitado!
  Estas ponderações afastaram de Jesus muitos discípulos. Só não debandou quem
  acreditou, realmente, que as palavras de  Cristo manifestavam, de fato,
  sua proximidade com o Pai,  e que este dera seu aval a tudo quanto tinha
  dito e realizado.


 

C - 17 de abril de
2016

João 10,27-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o bom pastor, conheço minhas
ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo
10,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.
27 Disse Jesus: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas
me seguem. 28 Eu lhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as
roubará de minha mão.
29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar
da mão de meu Pai.
30 Eu e o Pai somos um".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O PASTOR DAS OVELHAS
              Jesus
  serviu-se da metáfora do pastor para explicitar que tipo de relação desejava
  estabelecer com seus discípulos. Queria superar os esquemas bem conhecidos na
  época, pelos quais os mestres tornavam-se verdadeiros tiranos dos discípulos.
  Sua intenção era ser um mestre diferente. Como?
              Sendo um
  mestre legítimo, seria como o pastor que entra pela porta do curral e não por
  outras vias, à maneira dos mestres mal-intencionados.
             
  Estabelecendo um relacionamento cordial e amigo com seus discípulos, imitaria
  o pastor que conversa com suas ovelhas, chama-as pelo nome e as trata com
  carinho, pois sua função é cuidar delas.
              Conduzindo
  os discípulos de maneira segura, para evitar extravios, assemelhar-se-ia ao
  pastor que se coloca à frente do rebanho. Suas ovelhas o seguem, sem hesitar,
  por reconhecerem a voz de seu guia.
              Defendendo
  seu rebanho perigos e das ciladas que a vida lhes prepara. Os mercenários,
  nos momentos de perigo, deixam as ovelhas entregues à si mesmas. Agem assim,
  porque são mercenário, incapazes de arriscar suas vidas para defender o
  rebanho. Jesus, pelo contrário, defenderá os seus discípulos, até o extremo,
  mesmo tendo de entregar sua própria vida.
              Portanto,
  é mais prudente deixar-se guiar por um tal pastor.


 

C - 18 de abril de
2016

João 10,1-10

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o
Senhor (Jo
10,14).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Naquele tempo, disse Jesus: 10 1 "Em verdade, em
verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe
por outra parte, é ladrão e salteador.
2 Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3 A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as
ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
4 Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas;
e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
5 Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz
dos estranhos".
6 Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria
falar.
7 Jesus tornou a dizer-lhes: "Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a
porta das ovelhas.
8 Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as
ovelhas não os ouviram.
9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como
sairá e encontrará pastagem.
10 O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que
as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância".
Palavra da Salvação.
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

VALE A PENA CRER NO RESSUSCITADO
              Jesus não
  foi a única pessoa a abordar os discípulos e a convidá-los para o seu
  seguimento. Eram muitas as concepções teológicas e políticas, no tempo de
  Jesus. E todas procuravam arrebanhar adeptos. Como sempre acontece nestas
  circunstâncias, existiam propostas de todo o tipo. Era preciso estar atento
  para não se deixar enganar. A proposta de muitos era comparável à atitude de
  ladrões e salteadores, cujo interesse pelas pessoas não era senão o de tirar
  proveito delas, e de explorá-las.
              A atitude
  de Jesus, pelo contrário, fundava-se numa preocupação autêntica: guiar e
  proteger cada um de seus discípulos. O Mestre conhecia intimamente a todos
  eles. Não se poupava quando se tratava de tomar a defesa deles. Seu grande
  desejo era que tivessem vida e vida em abundância. Portanto, estava todo a
  serviço de seus seguidores.
              A Ressurreição
  confirmou as palavras de Jesus e lhe possibilitou tornar-se o bom pastor da
  comunidade, para além dos limites do tempo e do espaço. Mais do que nunca,
  ele podia comunicar a seus discípulos a vida plena recebida do Pai. Quem se
  predispusesse a segui-lo podia estar certo de que não haveria de se
  decepcionar. Jesus não era um estranho,  era o Filho por quem o Pai
  havia demonstrado um amor infinito ao ressuscitá-lo. Por isso, estava em
  condições de satisfazer os anseios mais profundos de seus seguidores.


 

C - 19 de abril de
2016

João 10,22-30

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz,

eu as conheço e elas me seguem (Jo 10,27).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

10 22 Celebrava-se em
Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno.
23 Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão.
24 Os judeus rodearam-no e perguntaram-lhe: "Até quando nos deixarás na
incerteza? Se tu és o Cristo, dize-nos claramente".
25 Jesus respondeu-lhes: "Eu vo-lo digo, mas não credes. As obras que faço
em nome de meu Pai, estas dão testemunho de mim.
26 Entretanto, não credes, porque não sois das minhas ovelhas.
27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem.
28 Eu llhes dou a vida eterna; elas jamais hão de perecer, e ninguém as
roubará de minha mão.
29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém as pode arrebatar
da mão de meu Pai.
30 Eu e o Pai somos um".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

UMA INCÓGNITA SOBRE JESUS
              O modo de
  proceder de Jesus bem com os seus ensinamentos deixavam desconcertados os
  seus adversários. Embora realizasse gestos prodigiosos, suficientes para
  revelar sua plena comunhão com o Pai, e falasse de maneira até então
  desconhecida, permanecia uma incógnita a seu respeito. Os judeus, que tinham
  tudo para reconhecê-lo como o Messias, permaneciam na incerteza. Por isso,
  ficavam à espera de que Jesus lhes "dissesse abertamente" quem ele
  era.
              A postura
  assumida pelos adversários impedia-os de compreender a verdadeira identidade
  messiânica de Jesus. Movidos pela suspeita, pela malevolência e pela crítica
  mordaz, jamais conseguiriam chegar à resposta desejada. Daí a tendência a
  acusar Jesus de blasfemo e imputar-lhe toda sorte de desvios teológicos e
  políticos.
              Em
  contraste com os adversários estavam os discípulos. Estes, sim, colocavam-se
  numa atitude humilde de escuta, atentos às palavras do Mestre, buscando
  desvendar-lhes seu sentido mais profundo. Dispuseram-se a segui-lo, para
  serem instruídos não só por suas palavras, mas também por seus gestos
  concretos de misericórdia, para com os mais necessitados. A comunhão de vida
  com o Mestre permitia-lhes descobrir sua condição de Messias, o enviado do
  Pai.
              A
  incógnita sobre Jesus permanece para quem se posiciona diante dele como
  adversário. Quem se faz discípulo, não tem dificuldade de reconhecê-lo como
  Messias.


 

C - 20 de abril de
2016

João 12,44-50

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou a luz do mundo; aquele que me
segue não caminha entre as trevas, mas terra a luz da vida (Jo
8,12).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

12 44 Entretanto, Jesus
exclamou em voz alta: "Aquele que crê em mim, crê não em mim, mas naquele que
me enviou;
45 e aquele que me vê, vê aquele que me enviou.
46 Eu vim como luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará
nas trevas.
47 Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei,
porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo.
48 Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a
palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia.
49 Em verdade, não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele
mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar.
50 E sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o
segundo me falou o Pai".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

ACOLHIDA E REJEIÇÃO
              Jesus
  ressuscitado é a luz colocada pelo Pai na história humana, para que ninguém
  fique vagando nas trevas. Mas, é preciso tomar uma decisão. Quem se decide
  por Cristo, coloca-se no caminho da salvação. A luz do Ressuscitado permite
  ao seguidor de Jesus detectar os empecilhos que o egoísmo coloca em seu
  caminho, para desviá-lo do amor e da justiça. Esta luz denuncia as artimanhas
  do mal que, enganando os incautos, tende a afastá-los de Deus. Ela
  possibilita vislumbrar a misericórdia do Pai que acolheu e ressuscitou Jesus
  e quer acolher a todos que nele crerem.
              Quem
  rejeita Jesus, toma o perigoso caminho do Julgamento. Por não ser capaz de
  dar à sua vida o rumo certo, deixará o mal tomar conta de seu coração, não
  permitindo que Deus nele venha morar. Permanecerá insensível diante da
  injustiça. O sofrimento alheio lhe passará despercebido. Este centramento no
  próprio eu só pode gerar a morte.
              O
  Ressuscitado propõe-se a iluminar a vida de quem aceita deixar-se guiar por
  ele. Optar pela luz é optar pela vida e pela salvação. Escutar Jesus é
  deixar-se guiar pelo Pai que, por amor, nos oferece vida em plenitude. Por
  conseguinte, é loucura dar as costas a Jesus e rejeitar suas palavras. Por
  meio dele, o Pai quer atrair a si toda humanidade.


 

C - 21 de abril de
2016

João 13,16-20

Aleluia, aleluia, aleluia.
Jesus Cristo, a fiel testemunha, primogênito dos mortos, nos amou e do pecado
nos lavou em seu sangue derramado (Ap
1,5). 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
Depois de lavar os pés dos discípulos, Jesus lhes disse: 13 16 "em verdade,
em verdade vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado é
maior do que aquele que o enviou.
17 Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes, sob condição de as
praticardes.
18 Não digo isso de vós todos; conheço os que escolhi, mas é preciso que
se cumpra esta palavra da Escritura: ´Aquele que come o pão comigo levantou
contra mim o seu calcanhar´. 19 Desde já vo-lo
digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiais e reconheçais
quem sou eu.
20 Em verdade, em verdade vos digo: quem recebe aquele que eu enviei
recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

FELIZ QUEM COMPREENDE E PRATICA A PALAVRA DE DEUS
              O
  confronto com o Ressuscitado produzia efeitos diversos na vida dos
  discípulos. A mera constatação da presença de Jesus vivo não era suficiente.
  A Ressurreição devia tocar profundamente a vida de quem passava pelo processo
  de fé e aí deixar suas marcas. Ela consistia, em última análise, numa
  proposta de projeto de vida.
              Sob este
  aspecto, o apelo do Ressuscitado dava continuidade ao processo de abordagem
  dos discípulos, no período pré-pascal.
              Na Última
  Ceia, Jesus lavara os pés dos discípulos, apresentando sua atitude como
  modelo a ser seguido. Ele proclamou feliz quem fosse capaz de compreender seu
  gesto e de imitá-lo. Esse seria o verdadeiro discípulo.
              Mas,
  naquela mesma circunstância, Jesus sabia que, no grupo de discípulos, havia
  alguém que haveria de se levantar contra ele. Os gestos e as palavras do
  Mestre não surtiram efeito algum sobre Judas. Não o demoveram do seu intento
  de trair Jesus. Seu testemunho  deparou-se com um coração fechado.
              Ao
  testemunhar Ressurreição de Jesus, os discípulos também encontraram pessoas
  dispostas a aceitá-los e por em prática seus ensinamentos, enquanto outras
  endureceram-se a ponto de  persegui-los sem trégua. A sorte do Mestre
  tornou-se a sorte dos discípulos.


 

C - 22 de abril de
2016

João 14,1-6

Aleluia, aleluia, aleluia.

Sou o caminho, a verdade e a vida;
ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo
14,6)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

14 1 Disse Jesus: "Não
se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.
2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria
dito; pois vou preparar-vos um lugar.
3 Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo,
para que, onde eu estou, também vós estejais.
4 E vós conheceis o caminho para ir aonde vou".
5 Disse-lhe Tomé: "Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos
conhecer o caminho?"
6 Jesus lhe respondeu: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem
ao Pai senão por mim".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

EU SOU O CAMINHO
              A certeza
  da presença do Ressuscitado deveria ter infundido segurança e coragem à
  comunidade cristã. Não faltaram, entretanto, elementos de perturbação, e as
  dificuldades se multiplicavam.
              A
  comunidade, porém, tinha motivos para permanecer tranqüila. O Ressuscitado
  não a havia desamparado, antes, fazia-lhe promessas altamente consoladoras.
  Ele estava de partida para junto do Pai, onde iria preparar um lugar para
  seus discípulos. Depois, voltaria para tomá-los consigo, a fim de que
  estivessem em comunhão com ele, para sempre. O Ressuscitado era o Caminho pelo
  qual os discípulos, doravante, poderiam chegar ao Pai. Esse Caminho
  verdadeiro haveria de fazê-los obter a vida.
              Seria
  impossível deixar-se convencer pelo Ressuscitado, a não ser acreditando nele
  e em suas palavras. Não uma fé superficial, mas uma fé tão profunda igual à
  que as pessoas colocavam em Deus. Do mesmo modo que os antigos colocavam fé
  em Deus, agora era preciso crer em Jesus e nas promessas que ele fazia.
              A
  comunidade estava diante de um desafio. Somente pela fé seria possível dar
  crédito às palavras de Jesus. Sem ela, suas promessas poderiam ser tomadas
  como delírio de quem não sabe o que diz. Pela fé, porém, era possível estar
  certo de que o Ressuscitado tinha como tarefa preparar um bom lugar, junto do
  Pai, para os seus.


 

C - 23 de abril de
2016

João 14,7-14

Aleluia, aleluia, aleluia.

Se guardais minha palavra, diz Jesus,
realmente vós sereis os meus discípulos (Jo
8,31s).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

14 7 Disse Jesus: "Se
me conhecêsseis, também certamente conheceríeis meu Pai; desde agora já o
conheceis, pois o tendes visto".
8 Disse-lhe Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta".
9 Respondeu Jesus: "Há tanto tempo que estou convosco e não me
conheceste, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes:
'Mostra-nos o Pai'
10 Não credes que estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que
vos digo não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que
realiza as suas próprias obras.
11 Crede-me: estou no Pai, e o Pai em mim. Crede-o ao menos por causa
destas obras.
12 Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as
obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas, porque vou para junto do
Pai.
13 E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai
seja glorificado no Filho.
14 Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

VER JESUS É VER O PAI
              O anseio
  de ver a Deus face a face é um anseio fundamental, latente no íntimo do ser
  humano. No entanto, Deus transcende as categorias humanas de tempo e espaço.
  E isto impossibilita a realização deste desejo. Então, a experiência de Deus
  transforma-se em experiência do mistério.
              Com Jesus,
  porém, dá-se um passo adiante. Ele foi a revelação de Deus para a humanidade.
  Por isso, o Pai tornou-se visível na pessoa de Jesus. Tudo o que Jesus dizia
  e realizava, era feito na mais total sintonia com o Pai. Nada do ser de Jesus
  escapava da comunhão com o Pai. Por isso, ele podia dizer-se estar totalmente
  radicado no Pai e o Pai totalmente radicado nele. Jesus tinha consciência de
  ser instrumento nas mãos do Pai. Suas ações eram ações do Pai, em benefício
  da humanidade. Suas palavras expressavam o projeto de vida proposto pelo Pai
  a todas as pessoas.
              Esta
  interação com o Pai é que dava relevância à vida de Jesus e lhe permitia
  apresentar-se como certeza de salvação. Neste contexto deve também ser
  entendida a Ressurreição. O Ressuscitado é a presença permanente do Pai junto
  à comunidade. A vida em comunhão com o Ressuscitado desemboca na comunhão com
  o Pai. Por sua vez, a comunidade, torna-se transparência de Deus na história
  humana.


 

C - 24 de abril de
2016

João 13,31-35

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu vos dou novo preceito: que uns aos outros vos ameis, como eu vos tenho amado
(Jo
13,34).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
13 31 Logo que Judas saiu, Jesus disse: "Agora é glorificado o Filho do
Homem, e Deus é glorificado nele.
32 Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e
o glorificará em breve.
33 Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis
de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde
eu vou, vós não podeis ir.
34 Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho
amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos
outros".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O DISTINTIVO DO DISCÍPULO
              A
  profissão de fé no Cristo Ressuscitado incide, diretamente, na vida do
  discípulo. Ela não é um discurso vazio, uma abstração intelectual, nem
  tampouco uma bela teoria. A fé consiste em acolher Jesus de tal forma, que
  toda a existência do cristão passe a ser moldada por esta opção. E o molde da
  vida cristã é a vida de Jesus. Seu distintivo é o amor mútuo.
              Estando
  para concluir o ciclo de orientações aos discípulos, o Mestre resumiu tudo
  quanto havia ensinado, num único mandamento, chamado de mandamento novo:
  "Amem-se uns aos outros, como eu amei vocês". A prática do amor
  mútuo é a expressão consumada da fé em Jesus. Não existe fé cristã autêntica,
  se não chegar a desembocar no amor.
              Não se
  trata de um amor qualquer. O modelo é: amar como Jesus amou as pessoas, a
  ponto de entregar a própria vida para salvá-las.
              O
  verdadeiro discípulo distingue-se pelo amor. Quanto mais autêntico e radical
  for este amor, mais revelará o grau de sua adesão a Jesus.
              A
  capacidade de amar-se mutuamente indica o quanto Jesus está agindo na vida do
  cristão. A presença salvadora de Jesus tem o efeito de desatar o nó do
  egoísmo, que afasta os indivíduos de seus semelhantes e, por conseqüência, de
  Deus também. O cristão, salvo por Jesus, manifesta a eficácia desta salvação
  na vivência do amor.


 

C - 25 de abril de
2016

Marcos 16,15-20

Aleluia, aleluia, aleluia.
É Cristo que anunciamos, Jesus Cristo, o crucificado, poder e sabedoria de
Deus (
1Cor 1,23s).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos.
Naquele tempo, 16 15 disse Jesus aos seus onze discípulos: "Ide por todo o mundo e pregai o
Evangelho a toda criatura.
16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.
17 Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em
meu nome, falarão novas línguas,
18 manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará
mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados".
19 Depois que o Senhor Jesus lhes falou, foi levado ao céu e está sentado
à direita de Deus.
20 Os discípulos partiram e pregaram por toda parte. O Senhor cooperava
com eles e confirmava a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.
Palavra da Salvação. 
 







 


 

Comentário do Evangelho


 

A ALEGRE NOTÍCIA
              O encontro
  de Jesus ressuscitado com Maria Madalena fez dela uma anunciadora da
  ressurreição. Foi esta a alegre notícia que ela comunicou aos discípulos, e,
  sem dúvida, a todos os que encontrou, depois, ao longo de sua existência. A
  partir desta experiência, sua vida deu uma guinada. Ela já não era mais a
  mesma.
              No
  entanto, o contato com os discípulos foi decepcionante. A Boa Nova que lhes
  trouxe, não pareceu suficiente para arrancá-los da tristeza e do pranto, e
  fazê-los abrir-se para a fé. Pelo contrário, continuaram incrédulos! Talvez
  não tenham sido capazes de superar o preconceito contra as pessoas do sexo
  feminino, cujo testemunho, naquela época, não era aceito. Não se dava
  credibilidade às palavras de uma mulher.
              A reação
  dos discípulos não deve ter bloqueado o entusiasmo de Maria Madalena. Outras
  aparições do Ressuscitado confirmariam suas palavras: o Senhor estava vivo, e
  sua presença se fazia real na vida de quem o encontrava.
              Da mesma
  forma, os discípulos, aos quais Jesus aparecera enquanto se dirigiam para o
  campo, tinham ido, às pressas, contar o fato aos demais. E também se
  debateram com a incredulidade dos
  companheiros.        
             
  Independentemente da reação dos ouvintes, quem experimentou a presença do
  Ressuscitado é impelido a anunciar a todo mundo esta experiência
  transformadora.


 

C - 26 de abril de
2016

João 14,27-31

Aleluia, aleluia, aleluia.

Era preciso que Cristo sofresse e ressuscitasse
dos mortos para entrar em sua glória, aleluia! (Lc
24,46.26)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

14 27 Disse Jesus:
"Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se
perturbe o vosso coração, nem se atemorize!
28 Ouvistes que eu vos disse: 'Vou e volto a vós'. Se me amardes,
certamente haveis de alegrar-vos, que vou para junto do Pai, porque o Pai é
maior do que eu.
29 E disse-vos agora estas coisas, antes que aconteçam, para que creiais
quando acontecerem.
30 Já não falarei muito convosco, porque vem o príncipe deste mundo; mas
ele não tem nada em mim.
31 O mundo, porém, deve saber que amo o Pai e procedo como o Pai me
ordenou. Levantai-vos, vamo-nos daqui".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

A PAZ DO SENHOR
              A presença
  do Ressuscitado era certeza de paz para a comunidade cristã. Jesus, porém,
  contrapunha sua paz à paz oferecida pelo mundo. Elas são irreconciliáveis. O
  discípulo de Jesus necessita estar atento para não confundi-las. Em que elas
  se distinguem?
              A paz de
  Jesus funda-se no amor e na justiça e tem em mira o surgimento de um mundo
  verdadeiramente fraterno, onde os bens sejam compartilhados entre todos, sem
  exceção. Ela tende a levar os discípulos a uma comunhão tão profunda, a ponto
  de se sentirem um só coração e uma só alma. A paz de Jesus rejeita toda
  espécie de idolatria, que coloca criaturas no lugar de Deus e submete o ser
  humano a um regime de opressão. Ela é toda feita de esperança.
              A paz que
  o mundo oferece prescinde de Deus e se funda num projeto contrário ao dele.
  Aí, se encontram a injustiça, a concentração de bens às custas da exploração
  alheia, o desrespeito pelo ser humano. É o império do egoísmo que idolatra
  pessoas e coisas, e transforma os indivíduos em seus escravos.
              Jesus
  alertou a comunidade para que não se deixasse enganar pelo príncipe deste
  mundo. O discípulo não se perturba, mesmo sabendo que é desafiante trilhar os
  caminhos da paz do Senhor.


 

C - 27 de abril de
2016

João 15,1-8

Aleluia, aleluia, aleluia.

Ficai em mim e eu em vós ficarei, diz
Jesus;

quem em mim permanece há de dar muito
fruto (Jo
15,4s).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

15 1 Disse Jesus: "Eu
sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto
em mim, ele o cortará;
2 e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto.
3 Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado.
4 Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto
por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis
tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.
5 Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse
dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
6 Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele
secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á.
7 Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós,
pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito.
8 Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis
meus discípulos".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

PERMANECEI EM MIM!
              Ser
  discípulo do Ressuscitado exige coragem e perseverança. A comunhão com Jesus
  não está isenta de tentações. O discípulo é continuamente provado e desafiado
  a mostrar, com atitudes coerentes, sua adesão ao Mestre. É coerência ao
  projeto dele ser capaz de amar até o extremo, num contexto de egoísmo sempre
  mais difundido. É prova de fidelidade a Jesus lutar pela justiça, num mundo
  onde parece imperar a injustiça. É sinal de adesão sincera a Jesus rejeitar
  todos os ídolos da sociedade moderna, quando a idolatria instalou-se no
  coração de muitos.
              O
  permanecer em Cristo supõe um ato da vontade humana. Contudo, é indispensável
  a colaboração do Espírito Santo. Sem esta força divina, o discípulo não
  consegue fazer frente às solicitações do maligno e é levado a separar-se do
  Senhor. Ajudado pelo poder do Espírito de Deus, o discípulo conserva-se fiel
  à sua entrega ao Ressuscitado.
              As
  conseqüências da infidelidade e da ruptura com o Senhor são terríveis.
  Afinal, ninguém rompe com Deus, sem pagar o preço desta sua decisão. A imagem
  do fogo devorador evoca o castigo reservado a quem não é fiel. Ela é
  suficientemente sugestiva para alertar o discípulo a permanecer firme e dar
  atenção ao apelo do Mestre.


 

C - 28 de abril de
2016

João 15,9-11

Aleluia, aleluia, aleluia.
Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu
conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar (Jo
10,27).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
15 9 Disse Jesus: "Como o Pai me ama, assim também eu vos amo. Perseverai no
meu amor. 10 Se guardardes os meus mandamentos, sereis constantes no meu amor, como
também eu guardei os mandamentos de meu Pai e persisto no seu amor.
11 Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a
vossa alegria seja completa".
Palavra da Salvação.


 








 


 

Comentário do Evangelho


 

ENVIADOS PELO SENHOR
              Jesus
  confiou aos discípulos a tarefa de dar continuidade à sua missão. Como o Pai
  o havia enviado, também ele enviou aqueles que se lhe mostraram fiéis. Esta
  comparação ajuda a compreender a missão do discípulo.
              O envio do
  Pai visava a salvação do mundo. Da mesma forma, o envio feito por Jesus. O
  Pai quis comunicar vida abundante à humanidade. Assim também os discípulos de
  Jesus são enviados para fazer a vida jorrar por onde passarem. O Pai enviou
  Jesus por amor à humanidade. O discípulo é também enviado porque Jesus ama a
  humanidade e quer vê-la livre da maldade e da injustiça. Jesus se mostrou
  obediente e fiel ao envio recebido, não se deixando levar pela tentação do
  comodismo. O discípulo é chamado a entregar-se à missão recebida por Jesus,
  sem reservas, não temendo até mesmo perder a própria vida. Jesus realizou sua
  tarefa cabalmente, não fugindo das situações conflituosas, onde corria perigo
  de vida. O discípulo, a exemplo de Jesus, é instado a não trabalhar pela
  metade e deixar sua tarefa sem ser concluída.
              O
  paralelismo entre o envio de Jesus permite que o envio do discípulo seja cada
  vez mais profundamente explicitado. Em todo o caso, o exemplo de Jesus está
  sempre aí para inspirar a ação de quem quer segui-lo. Sobretudo, é preciso
  praticar seus mandamentos com fidelidade e permanecer firme no seu amor.


 

C - 29 de abril de
2016

João 15,12-17

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu vos chamo meus amigos, pois vos
dei a conhecer o que o Pai me revelou (Jo
15,15)

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

15 12 Disse Jesus: "Este
é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo.
13 Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.
14 Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.
15 Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor.
Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.
16 Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí
para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos
constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos
conceda.
17 O que vos mando é que vos ameis uns aos outros".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

AMAR É DOAR-SE
              A
  Ressurreição de Jesus manifesta que o Pai aprovou seu estilo de vida. Foi a
  forma pela qual ele autenticou toda a existência de seu Filho, de modo que
  ela pode apresentar-se como paradigma existencial para os discípulos. Toda a
  vida de Jesus foi uma contínua vivência do amor sem limites, até o extremo de
  doar-se a si mesmo em benefício da humanidade.
              Por isso,
  o amor-doação foi apresentado aos discípulos como o mandamento único e
  fundamental, pelo qual deveriam guiar-se. E o testemunho de Jesus tornou-se
  um referencial obrigatório. Neste sentido, é mister que toda a vida do
  discípulo se direcione para a imitação criativa do mestre Jesus.
              O
  discípulo é convidado a crescer na vivência do amor, até ser capaz de dar a
  vida pelos demais. Isto exige uma libertação do egoísmo que impede o ser
  humano de dar-se conta da presença do outro e responder às suas carências. O
  amor limitado e condicionado não corresponde ao ideal proposto por Jesus. O
  mesmo se passa com o amor sem ousadia, onde quem diz amar se preocupa em
  poupar-se a si mesmo. Só existe amor cristão, quando todos os limites são
  superados e a obediência ao mandamento de Jesus leva à total entrega de si
  mesmo.


 

C - 30 de abril de
2016

João 15,18-21

Aleluia, aleluia, aleluia.

Se com Cristo ressurgistes, procurai
o que é do alto, onde Cristo está sentando á direita de Deus Pai (Cl
3,1).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo
João.

15 18 Disse Jesus: "Se o
mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
19 Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém,
não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
20 Lembrai-vos da palavra que vos disse: 'O servo não é maior do que o seu
senhor'. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha
palavra, hão de guardar também a vossa.
21 Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem
aquele que me enviou".
Palavra da Salvação.







 


 

Comentário do Evangelho


 

O ÓDIO DO MUNDO
              A vida de
  Jesus foi pontilhada de tensões provocadas pela insistente perseguição de
  seus adversários. Ele foi objeto de acolhida calorosa e agradecida, por parte
  de alguns, mas também foi rejeitado e odiado por outros. Sua morte colocou-se
  no contexto desta animosidade sistemática contra ele.
              O
  discípulo de Jesus não deverá contar com sorte diferente. Jesus alertava para
  o ódio que haveria de se desencadear contra seus seguidores, como havia se
  desencadeado contra ele. Neste sentido, o discípulo não tem por que se
  escandalizar nem desanimar, diante da provação. A opção pelo seguimento de
  Jesus comporta, necessariamente, esta dimensão.
              O ódio do
  mundo pode ser indício da autenticidade do testemunho da fé em Jesus. O mundo
  se levanta contra quem age de maneira contrária a seus princípios. Quem se
  deixa cooptar por ele, não precisa temer. Quem faz frente às suas seduções
  por causa do ideal de Jesus Cristo, será vítima de sua ferocidade.
              O presença
  do Ressuscitado na vida dos discípulos reforça a verdade de que eles não são
  do mundo e radicaliza a oposição entre eles e quem os odeia. Quanto mais o
  discípulo se deixa levar pela dinâmica da Ressurreição, tanto mais percebe
  sua inadequação com o mundo. Mas, apesar do ódio do mundo, o discípulo não
  teme, porque tem o Senhor a seu lado